Menu fechado
Discussão sobre o fim dos vestibulares

Discussão sobre o fim do vestibular

Confira abaixo!

Instituições federais de ensino discutem fim do vestibular

Proposta da Universidade Nova acabaria também com o foco profissionalizante do ensino superior, que passaria a oferecer bacharelados em áreas genéricas

Doze instituições federais de ensino, juntamente com o Ministério da Educação (MEC), apóiam um plano para acabar com o foco profissionalizante da educação superior e substituir o vestibular pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Entre os apoiadores do projeto estão as Universidades Federais do Rio de Janeiro (UFRJ), da Bahia (UFBA) e do Ceará (UFC), além da Universidade de Brasília (UnB).

A ideia está em debate no 1.º Seminário Nacional da Universidade Nova – Reestruturação da Arquitetura Acadêmica da Educação Superior no Brasil, que começou na quinta-feira, em Salvador (BA), marcado por manifestação de estudantes e pela ausência do ministro da Educação, Fernando o ministro.

O evento, que segue até este sábado, reúne reitores, diretores e professores das 57 Instituições Federais de Ensino Superior do Brasil (Ifes) e representantes do MEC.

O projeto em discussão, o Universidade Nova, prega a alteração de foco do curso superior, que deixaria de ser profissionalizante desde o começo e passaria a abranger áreas temáticas, como saúde, artes e humanidades, por exemplo – os chamados Bacharelados Interdisciplinares (BIs).

Depois de três anos, o estudante torna-se bacharel na área escolhida e tem a opção continuar a graduação em áreas específicas, explica um dos principais defensores da proposta, Naomar Almeida Filho, reitor da UFBA.

De acordo com ele, a mudança traria benefícios imediatos, como o aumento da capacidade da universidade de receber novos alunos – selecionados pelo Enem – e o fim da precocidade na escolha profissional. O que estamos propondo já é aplicado em algumas das melhores universidades do mundo, diz.

Mas, nas ruas, representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFBA distribuíam panfletos e conversavam com os pedestres sobre os pontos negativos do projeto.

A Universidade Nova tem um problema central: apesar de atrair mais alunos para os BIs, não dá condições às instituições de ensino para formar mais pessoas nas carreiras profissionalizantes, argumenta Rafael Bastos, do DCE. Aí, se o estudante é bacharelado em uma área do conhecimento e não consegue vaga em um curso profissionalizante, como vai para o mercado de trabalho?

Alguns professores também temem efeitos negativos da proposta. Se houver mais ingresso de estudantes nas instituições, é possível que a qualidade dos cursos, de forma geral, caia, acredita um docente da faculdade de Física da UFBA, que preferiu não se identificar.

Ainda não chegamos a um acordo, por exemplo, sobre como vamos promover a passagem dos estudantes dos BIs para os cursos profissionalizantes, diz Almeida Filho. É um dos pontos que vamos debater até amanhã (sábado).

Ele é taxativo, porém, quanto à questão da queda de qualidade do ensino por causa da maior quantidade de alunos. A questão da qualidade de ensino não está tão ligada à relação professor por aluno, mas à grade curricular dos cursos, que é muito limitada, hoje, acredita.

Entenda a proposta e Estrutura acadêmica

Como é hoje? Estudantes frequentam aulas focadas na carreira profissional escolhida desde o início do curso superior. Ao fim do curso – que dura de quatro a seis anos, em geral – o aluno recebe a certificação de conclusão de ensino superior e, em tese, está preparado para exercer a atividade cursada no mercado de trabalho.

Como passaria a ser? Nos três primeiros anos de ensino superior, os estudantes frequentariam Bacharelados Interdisciplinares (BIs), divididos por áreas de conhecimento – como ciências, artes, humanidades e tecnologia.

A partir do segundo ano do curso, os alunos teriam opções de disciplinas mais focadas na profissão de interesse, mas continuariam tendo de frequentar as aulas gerais da área.

Após a conclusão do BI, o estudante receberia o diploma de bacharel na área de conhecimento escolhida e poderia optar por fazer complementação profissionalizante (estima-se que dure de um a dois anos), bacharelado ou licenciatura em uma disciplina específica, como Física, Matemática ou História (mais um ou dois anos) ou uma pós-graduação na área de interesse.

Benefícios apontados na mudança

– Ampliação de conhecimentos e competências cognitivas do aluno;

– Adiamento do processo de escolha profissional por parte do estudante, o que diminuiria as chances de arrependimento;

– A flexibilização curricular, que daria aos alunos a possibilidade de escolher os percursos de aprendizagem que ele gostaria de seguir.

Problemas apontados na mudança

– Ao fim do BI, o estudante teria um diploma de curso superior, mas não estaria apto a ingressar no mercado de trabalho em profissões que exigem formação superior específica (Medicina, Engenharia e Direito, por exemplo);

– Não há garantia de que o estudante do BI consiga vaga nos cursos complementares de profissionalização ou nos bacharelados específicos.

Seleção dos estudantes e distribuição de vagas

Como é hoje? As vagas são limitadas pela estrutura física das universidades de acordo com as necessidades dos estudantes de cada carreira. Os estudantes interessados são selecionados por meio do vestibular. Têm acesso aos cursos os que obtiverem as maiores notas no exame.

Como passaria a ser? Como nos Bacharelados Interdisciplinares (BIs) estudantes de várias carreiras acompanham as mesmas aulas, tende a crescer o número de vagas durante os três primeiros anos do ensino superior. Os estudantes passariam a ser selecionados pelo rendimento no Enem.

Como não está prevista a ampliação imediata da estrutura física das universidades federais, porém, ainda não se sabe como vai ser feita a seleção dos estudantes que tiverem interesse em seguir um curso profissionalizante após os Bis.

A tese mais aceita é que as vagas sejam preenchidas pelos alunos com melhor aproveitamento nas avaliações durante os Bis.

Benefícios apontados na mudança

– Maior acesso dos estudantes ao ensino superior público.

Problemas apontados na mudança

– Por causa da maior quantidade de alunos, os cursos perderiam qualidade;

– Como não existe previsão de aumento de estrutura física dos cursos profissionalizantes, a grande seleção dos alunos, em vez de ser feita pelo vestibular, apenas seria adiada por três anos para quem estivesse procurando um curso profissionalizante.

Por Tiago Décimo – O Estado de São Paulo

Fonte: (www.estadao.com.br/educacao)

Confira como é o vestibular no mundo – Veja na seção!

Confira informações sobre o Enem também em nossa seção exclusiva!

 

Publicado em:Artigos

Você pode gostar também