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Hora de Decisão, enem e vestibular

Hora de Decisão

Nos próximos 40 dias, boa parte das principais universidades do país encerra suas inscrições e não há mais tempo para adiar a grande decisão. É agora que a questão mais importante da vida de muitos jovens na faixa de 18 anos deve ser enfrentada: que carreira profissional seguir?

Veja o artigo abaixo!

Para quem tem dúvidas, resta o consolo de saber que não está sozinho. De acordo com o IBGE, apenas 5% dos estudantes brasileiros que prestam a temida prova têm certeza de que curso querem fazer. E não é só isso. Depois que entram na faculdade, muitos vitoriosos descobrem que a escolha não foi a mais acertada.

Segundo a Associação Brasileira de Orientadores Profissionais, 43% dos alunos da Universidade de São Paulo (USP), considerada uma das melhores do país, desistem do curso no primeiro ano. Muitos dos desiludidos fazem o caminho de volta para os cursinhos, constata a psicóloga gaúcha Rosane Levenfus, autora dos livros Psicodinâmica da Escolha Profissional, Faça Vestibular com Seu Filho e Faça Vestibular com Seus Pais.

A escolha é realmente difícil. São 150 opções diferentes de profissões de nível superior, distribuídas por 6.600 cursos em 823 instituições. Além disso, a sensação é terrível porque é a primeira escolha importante que o jovem tem de fazer sozinho, afirma o psicólogo Fabiano Fonseca da Silva, do Serviço de Orientação Profissional (SOP) da USP. De um lado, ele se defronta com aspectos práticos da vida, como os interesses e gostos pessoais, as habilidades manuais, o mercado de trabalho, as informações sobre os cursos e profissões. De outro, encontra-se diante de algo impossível de ser aferido objetivamente, como a pressão da família e dos amigos, a moda, os sonhos, as esperanças e as fantasias. Nessa fase não se escolhe apenas a profissão, mas um estilo de vida, afirma a coordenadora do SOP, Yvette P. Lehman.

Por isso, o mínimo que se espera é que o vestibulando saiba o que está escolhendo e não acabe, sem realmente querer, na fila de inscrição dos cursos mais procurados, como Direito, Medicina ou Engenharia, ou dos que ele acredita que tragam mais retorno financeiro. Além da consciência do que se deseja, a informação sobre cursos e profissões é fundamental. O jovem tem de namorar a profissão antes de se casar com ela, afirma a psicóloga mineira Marisa Tavares, da PUC de Belo Horizonte. A estudante paulistana Fernanda Gama, de 20 anos, que prestou o primeiro vestibular para Biologia, resolveu mudar de namorado. Eu pensei, em princípio, que ia viver com os golfinhos, lembra hoje, rindo de sua ingenuidade. Depois de participar de um grupo de orientação profissional e conhecer melhor a carreira, ela optou por Medicina. As informações sobre o curso de Fisioterapia tranquilizaram o mineiro Leo J. Vasconcelos. Não tenho a menor dúvida sobre o que quero seguir, garante.

A boa notícia é que as melhores universidades do país, as escolas de ensino médio e os cursinhos mais requisitados já aprenderam a lição e oferecem visitas monitoradas às instituições de ensino superior, além de palestras com profissionais. Muitas vezes, os alunos podem ficar e assistir às aulas. Tomam contato com as matérias básicas dos primeiros anos de faculdade, geralmente mais enfadonhas e muito diferentes daquelas associadas diretamente à profissão. Para quem passa no vestibular cheio de sonhos e de ilusões, o primeiro contato costuma ser um choque. Se o aluno já vai informado, entra com uma visão mais realista do que terá de enfrentar. É o que espera Viviane Yumi Yamaguti, de 17 anos, em dúvida entre humanas e exatas. Ela pretende assistir a uma aula do primeiro ano do curso de Engenharia – uma de suas possíveis opções. Quero saber como é na prática, afirma.

Mudanças na legislação brasileira referentes ao ensino médio devem ajudar os alunos na escolha. A tendência é a de que os colégios ofereçam cada vez mais disciplinas optativas ou eletivas voltadas para o mundo do trabalho. Matérias como Linguagem Arquitetônica, Biologia Experimental, noções de Direito, Linguagem Fotográfica e Comunicação e Marketing já estão no currículo de algumas escolas, aproximando os alunos, pelo menos em tese, do que ocorre nas faculdades ou no mercado. Para o educador Ciro de Figueiredo, presidente do Grupo – Associação de Escolas Particulares, as disciplinas optativas ajudam na hora de escolher. Mas as escolas do ensino médio não podem fugir de sua principal responsabilidade: formar alunos com habilidade de redigir, capacidade de entender textos e elaborar projetos e com maior compreensão da realidade. Se conseguir passar isso para os estudantes, a escola já estará cumprindo seu papel e ajudará a diminuir a insegurança diante da disputa do mercado de trabalho. Para quem continua em dúvida, uma rede de instituições em todo o país especializou-se em ajudar estudantes indecisos como Viviane. Ou a mineira Juliana Cristina Dias Martins, de 17 anos. Ela chora de angústia por não saber o que escolher. No início do ano, estava em dúvida entre Veterinária e Engenharia.

Mas optou, sem muita convicção, por se inscrever em Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais. O que mais pesa para mim é saber que, pelo menos teoricamente, é uma escolha para a vida inteira. Mas não é bem assim, observa o pedagogo Silvio Bock, do Nace – Orientação Vocacional e Redação. Esse ato não define o resto da vida de uma pessoa, mas apenas um passo – o primeiro passo do resto da vida. A história das profissões está repleta de casos de artistas, cientistas e políticos que fizeram uma faculdade e acabaram trabalhando com algo totalmente diferente. Em geral, os institutos de Psicologia de universidades federais e estaduais têm um serviço de orientação vocacional em que psicólogos e pedagogos, auxiliados por universitários de último ano, atendem a população – muitas vezes gratuitamente. Não damos respostas, não dizemos que você tem aptidão para isso ou aquilo, afirma a psicóloga Christine Gili, do Instituto de Orientação Profissional, em Brasília, uma entidade privada. Simplesmente deixamos aflorar o que o aluno tem de melhor. Mesmo assim, há gosto para tudo: há duas semanas, uma feira em São Paulo recebeu a visita de cerca de 15 mil candidatos a uma vaga no vestibular, entre os quais a estudante Erineuza Vieira Rodrigues, aluna do segundo ano de uma escola estadual. Na feira, havia divulgação tanto dos testes tradicionais quanto dos métodos, digamos, alternativos, como numerologia. É bom que se saiba que aqueles que se dedicam seriamente à orientação dos pré-universitários desdenham esse tipo de técnica simplificada. Os testes vocacionais também são alvo de críticas e polêmica. Não acredito que algo que chamam de vocação esteja escondido dentro do indivíduo e o teste tenha a capacidade de desvendar o que nem ele mesmo sabe, afirma a psicóloga Wanda Junqueira, da PUC-SP.

Os testes consistem em levantamento de interesses, aptidões do estudante e seu perfil psicológico. Depois, o perfil dos jovens é comparado com o perfil dos profissionais. No entanto, argumenta Bock, as profissões e as pessoas sempre mudam. Ou seja, quando uma pessoa escolhe e segue uma profissão, ela vai reconstruí-la de acordo com sua personalidade. A escolha de uma profissão é apenas um primeiro passo, segundo o pedagogo, porque as pessoas não nascem com vocação para determinada atividade, mas vão construindo suas habilidades ao longo da carreira e da vida. Enquanto isso não for compreendido, a dúvida continua. É exatamente esse o problema da brasiliense Germana Cavalcante, de 23 anos, que já trancou matrícula dos cursos de Física e Psicologia e agora tenta vestibular para Letras. O psiquiatra Haim Grunspun, por sua vez, que aplica testes vocacionais em São Paulo há 30 anos, defende a metodologia e dá uma alfinetada nos profissionais que prescindem dos testes. A experiência de fazer orientação vocacional em grupo é muito boa no livro, mas pode deixar o jovem na mão, afirma. Seja como for, os testes continuam muito usados, mais frequentemente como um instrumento entre outros para ajudar o adolescente a perceber suas áreas de interesse.

Na semana passada, o estudante goiano Diogo de Castro Oliveira, de 17 anos, que abandonou o curso de Zootecnia no terceiro mês de aula, esperava ansiosamente o resultado de seu teste vocacional. Diogo está confuso: apesar de tocar muito bem vários instrumentos, acha arriscado tornar-se músico profissional. O pai do rapaz gostaria que ele cursasse Medicina, e isso o influenciou no ano passado, quando, além de Zootecnia, prestou vestibular para aquele curso. De um modo geral, muitas escolhas de vestibulandos são influenciadas pelos gostos dos pais. Ultimamente, porém, os especialistas têm notado o fenômeno inverso. Na ânsia de serem imparciais, os pais acabam se omitindo. Isso não é bom porque o jovem fica sem referências, afirma o psicólogo Fabiano Fonseca da Silva, da USP. Como em todas as ocasiões, os pais devem conversar com os filhos. Mesmo porque a escolha de cada um depende de fatores tão diversos como o histórico de vida de cada um. O comerciante José Estefno Dequech, de 24 anos, por exemplo, cursou três anos de Engenharia para trabalhar na metalúrgica do pai. Quando a fábrica fechou, abandonou a faculdade. Hoje, cursa Processamento de Dados, mas não pretende trabalhar na área. Para diminuir a dúvida, há uma sequência de passos básicos recomendados aos que ainda não se decidiram. Primeiro, o estudante deve pensar em seus interesses: o que mais gosta de fazer, quais são as atividades mais importantes e feitas com maior frequência e o papel que ele pretende exercer dentro da sociedade. Depois, observar o que tem mais facilidade para aprender, estudar e fazer. Em seguida, procurar a relação de cursos e profissões, não só universitários, mas técnicos e tecnológicos.

O passo seguinte é relacionar os interesses e as preferências aos currículos dos cursos, que podem ser obtidos em muitos casos pela Internet nos sites das faculdades. Completadas essas etapas, basta fazer a inscrição – e boa prova. Frances Jones e correspondentes (colaborou Miriam Ibañez)

QUAL É SEU JEITO?

O Centro de Integração Escola-Empresa relaciona algumas características importantes de cada profissão.

Confira qual está mais próxima de você. Realista: tem boa coordenação motora e é hábil. É pouco sociável e agressivo. Não tem capacidade verbal e interpessoal, prefere os problemas concretos aos abstratos. Prefere atividades como exploração, projetos científicos, mecânica. Tem maior capacidade matemática e manual do que verbal. Profissões:Engenharia, Cirurgia Médica, Análise de Sistemas. Intelectual: resolve seus problemas por meio de ideias, palavras e símbolos. A capacidade física e social passa para segundo plano. É independente e prefere trabalhar dessa forma, sem dar ou receber ajuda. Prefere atividades que lhe permitam expressar sua inclinação pouco sociável, analítica e imaginativa. Profissões: Medicina, Ciências Sociais, Economia, Odontologia, Veterinária. Social: enfrenta seu ambiente estabelecendo metas, valores e tarefas que lhe permitam aplicar sua capacidade em interesse de outras pessoas e melhorar ou modificar suas condutas. Tem necessidade de interação e é hábil socialmente. Prefere atividades educativas, terapêuticas e religiosas. Profissões: Assistência Social, Turismo, Advocacia, Psicologia. Convencional: enfrenta seu ambiente social e físico elegendo metas, tarefas e valores sancionados pelo costume e pela sociedade.

É até certo grau inflexível, conservador e perseverante. Não tem espontaneidade nem originalidade. Prefere atividades passivas e bem organizadas e leva mais em conta o aspecto econômico do que o estético. Profissões: Contabilidade, Hotelaria, Administração de Empresas na área financeira. Empreendedor: enfrenta seu mundo escolhendo metas, valores e tarefas que lhe permitam expressar suas qualidades de ser audacioso, dominante, entusiasta, energético e impulsivo. Prefere atividades que satisfaçam suas necessidades de domínio de expressão artística e verbal, como também de reconhecimento. Profissões: Jornalismo, Administração de Empresas na área de marketing, Advocacia. Artístico: enfrenta seu ambiente usando sentimentos, intuição e imaginação por meio de concepções e realizações artísticas. Prefere atividades musicais, literárias, dramáticas, dando mais valor ao estético que ao econômico. Profissões: Publicidade, Música, Arquitetura, Artes Cênicas.

Texto enviado por: [Vinícios Hose – Santa Teresinha ]

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