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Universidade para todos

Uma das tendências de educação superior é a sua universalidade. Dessa maneira, a universidade dá continuação à escolaridade do curso secundário, atendendo em porcentagens progressivas aos concluintes desse nível de ensino. O acesso universal à educação superior é um objetivo que já vem sendo alcançado por muitos países. E deve constar da pauta da anunciada reforma universitária a ser discutida pela sociedade brasileira.

A universidade, torre de marfim ou santuário da erudição, opõe-se à universidade de massa. Nem torre de marfim, tampouco massa, mas educação superior como continuidade ao ensino secundário. Portanto, em novas formulações, conforme exigências do desenvolvimento e da tecnologia, a universidade para todos corresponde à faixa etária dos 18 aos 26 anos, ou aos expedientes da educação permanente.

No século XIX, a educação primária generalizou-se nos países industrializados – Reino Unido, França, Estados Unidos. Nos anos finais do século XX, a educação superior progressivamente alcançou 30, 40 até 60% dos concluintes do curso secundário.

No momento em que se cogita de nova reforma universitária, é oportuno lembrar-se de que o Brasil possui um baixo índice de aluno de nível superior em relação à população. Por outro lado, alguns países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) têm manifestado claramente intenções de atingir o acesso universal ao ensino superior (ou ensino terciário).

Em documento de 1998, intitulado Redefinindo o ensino terciário, esta organização insistiu em que a participação no ensino terciário passa a ser considerada por todos e não tão-somente por uma minoria. A direção, afirma o documento, é rumo à participação universal: 100% de participação, com justas e iguais chances de acesso ao conhecimento, em uma ou outra forma de ensino terciário, em qualquer momento da vida, e não necessariamente na prolongação imediata do ensino secundário….

A mesma publicação constata que um bom número de países prevê o ingresso na educação superior de 60, 80 e até 100% dos que completaram os estudos secundários.

A Conferência Mundial sobre Educação Superior, no século XXI, promovida pela Unesco, dentre outras ponderações, considerou que a universalidade do ensino superior exige: o acesso universal para todos aqueles dotados de capacidade, motivação e preparação adequada, em qualquer etapa da vida; a utilização de formas variadas de intervenção para responder às necessidades de educação para todos, em todas as fases da vida; a universalidade tem por vocação não somente formar, mas educar, desenvolvendo uma cultura de paz, uma malha de solidariedade, uma gestão que repouse na autonomia responsável, um papel ético e uma explicitação de padrões de qualidade e pertinência.

Enfim, que a universalidade do ensino superior tenha por princípio último trabalhar pela unidade de homens e mulheres, na diferenciação e complementação solidárias. A generalização da educação superior liga-se à continuação do ensino secundário e ao mesmo tempo o transcende. A universidade atende à capacitação de cada um, como exigência da sociedade do conhecimento.

Na diretriz como se vem planejando a educação superior, no atendimento a diversas faixas de idade, o sistema universitário passa a ser concebido como educação permanente.

As projeções indicam que a tendência crescente será mantida e que os estudantes de nível superior ultrapassarão os recordes, em nível internacional. Para alcançar níveis mais elevados de conhecimento e mais altas porcentagens, considere-se a iniciação científica na graduação.

Com o desenvolvimento da pós-graduação, a pesquisa ficou a ela agregada, como se o princípio da indissociabilidade do ensino-pesquisa, definido por Humboldt, no início do século XIX, não atingisse toda a universidade. Efetivação da pesquisa que tem conduzido a capacitação escrita e a apresentação oral de resultados.

Tudo isso tem causado e causará mais ainda um melhor desempenho dos alunos. A universalidade da educação superior, desenvolvendo a capacitação escrita e verbal do aluno, melhorará o seu desempenho pessoal, em uma sociedade que exige padrões de comunicação mais condignos, pelo atendimento a novas faixas etárias.

Edivaldo M. Boaventura

Professor da Ufba e Unifacs

 

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