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Vestibular: Que armadilha é essa? artigo

Artigo – Vestibular: Que armadilha é essa?

A escolha certa do curso superior não é tarefa fácil. Muita gente acaba sofrendo horrores por causa dessa decisão. Por isso, escrever sobre esse assunto é mexer com os sentimentos de pessoas. Daí que vou procurar ter o maior cuidado e respeito.

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Vestibular: Que armadilha é essa?

Antigamente as pessoas aprendiam a lidar com as coisas com seus próprios familiares. Caça, pesca, plantio, construção, artes, tudo fazia parte de um rol de conhecimentos que cada indivíduo aprendia com seus parentes.
Cada aprendizado era socializado, e havia uma co-responsabilidade entre receber e manter o conhecimento. Aos poucos um outro tipo de conhecimento foi sendo desenvolvido. O ensino das letras era uma nova maravilha. Foram, principalmente os gregos antigos que privilegiaram esse tipo de conhecimento.

E aos poucos apenas para um grupo seleto poderia usufruir-se dele. Escravos, mulheres não estavam habilitados para esse conhecimento. Quase como um proto-vestibular, já se nascia reprovado, mesmo que houvesse uma qualidade presente. Assim os cultos, sábios aprendiam pelas letras, e os rudes, inaptos continuariam a aprender pelo antigo modelo, com os parentes.
A sociedade foi dividida então entre os letrados, que exerciam profissões mais nobres, e os iletrados, que teriam que continuar com profissões menos dignas, os serviços braçais.

Com o passar dos anos, o preconceito de gênero, social e cultural foi perdendo força. (Mesmo que ele esteja muito presente, ainda que veladamente, entre nós também hoje) A competência individual passa a ser o critério para alcançar-se os direitos. Não é mais a raça, o gênero, a posição social quem garante ou rejeita de antemão as possibilidades de ninguém.

Somos levados a crer que cada qual traça seu próprio destino.

Hoje, entrar ou não num curso superior, no mundo das letras, das nobres profissões, depende do esforço pessoal de cada estudante. Daí seu contrário, ser igualmente correto: quem não consegue entrar na faculdade é culpado pelo seu próprio fracasso, ficando sujeito a profissões braçais, menos relevantes. Pelo menos, é assim que se expressa um bom número de pessoas.

O vestibular é hoje mais do que o acesso ao ensino superior. Ele é um grande carimbo. Quem por ele é aprovado recebe o registro de vencedor, inteligente, nobre. Quem, ao contrário, é reprovado recebe a marca de perdedor, de inapto à nobreza. Assim sentem-se os que enfrentam o gigante Vestibular.

Diante desse breve resumo, surge a necessidade de enfrentar esse gigante, olhando-o como quem vem apenas com algumas pequenas pedras e uma funda. Quem inventou o vestibular afinal? Quem elegeu esse sujeito como o juiz de nossa inteligência? Por que é que todos tremem diante dele? Porque não o derrotam de vez? Poderíamos ou não viver sem ele? Cinco perguntas, cinco pedras. Agora precisamos ainda a funda? Alguns argumentos de fundamento às perguntas.

Vejamos! Quantas pessoas no Brasil têm o direito de chegar até o vestibular e pedir permissão para entrar num curso superior? Vivemos ainda num país, no qual mais da metade da população nem sequer termina o ensino fundamental. Portanto, apenas um pequeno grupo tem o privilégio de encarar o vestibular. Esses poucos que conseguiram chegar, precisar agora guerrear.
O funil do conhecimento se estreita, e desses poucos brasileiros que concluíram o ensino médio, o gigante vestibular, encarrega-se decapitar mais um bom número. Num país onde a educação é um dever do Estado, um direito do cidadão, o Vestibular surge como anti-educador. Ele impede o direito e limita a execução do dever.

Se existem muitas pessoas querendo estudar, por exemplo 10 candidatos por vaga, porque o Estado, que tem o dever de oferecer educação gratuita a todos, simplesmente não abre, ou autoriza a criação de mais vagas? Por que as pessoas que querem estudar, e que tem esse direito são impedidas de estudar (10 candidatos por vaga – apenas 1 terá o direito garantido!)?

Ora, estamos outra vez diante da mais antiga realidade: a vítima é que virou o vilão! Pois, o aluno que quer estudar é o grande prejudicado. O Estado deveria lhe oferecer estudo gratuito. Não oferece.
Pela falta de vagas inventa o vestibular. O aluno que foi prejudicado pela falta de vagas, luta com o gigante e perde. Sente-se incompetente, quando o gigante incompetente é justamente o Estado que pouca vaga oferece.

É lógico que num curso onde há 10 candidatos por vaga apenas um passe. Os outros nove têm que se sentir perdedores, ignorantes? Vivemos ante um dilema de cidadania! O vestibular é um gigante. Nossas pedras, nossa funda precisam acertar-lhe a cabeça, e a espada certeira deve decapitá-lo.

Nossos filhos, nossos alunos, nossos amigos não merecem continuar passando vergonha diante desse gigante. Chega de nos sentir derrotados, quando já nos mostramos vitoriosos. Num país onde estudar é uma dificuldade, concluir o ensino médio é uma vitória.

Não passar no vestibular não deve ser uma vergonha! Vergonha é ter um Governo que ao invés de educação oferece aos seu povo o vergonhoso vestibular. A educação é dever do Estado! Estudar é o direito de seu povo!

Alexandre Ari Monich

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