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MSU - Movimento dos Sem-Universidade, vestibular

MSU – Movimento dos Sem-Universidade

Ensino superior para todos!

A educação superior é para poucos, mas a entidade promete fazer pressão para reverter esse quadro.

Em busca do fim do vestibular e Enem

Como e quando surgiu o MSU?

O MSU é fruto de vários movimentos e lutas que ocorreram ao longo dos anos 90 no Estado de São Paulo. Vale destacar: a luta pela isenção da taxa dos vestibulares públicos paulistas, os cursinhos populares, a participação no movimento estudantil secundarista, a participação no movimento estudantil universitário, a participação nos movimentos sociais. Neste sentido, é uma articulação de vários segmentos distintos da juventude do meio popular, que passa de atuações localizadas para uma atuação geral. O nome Sem Universidade surgiu de uma palestra de Dom Pedro Casaldáliga na Unicamp, quando falava da exclusão da maioria da juventude da universidade brasileira. No Fórum Social Mundial, em Porto Alegre-RS, neste ano, o MSU ganhou mais força e desde então tem sido organizado em várias regiões, de forma horizontal, tendo como eixo centrais de atuação: a formação teórica, a organização e a ação social.

Onde surgiu o MSU?

No Estado de São Paulo.

Existe algum líder do movimento?

Não é este o objetivo do MSU. Os vários movimentos das várias regiões que compõem o MSU têm suas lideranças naturais. O estímulo ao personalismo e ao vanguardismo é algo que repudiamos. Não temos pressa.

Quais são os objetivos do MSU?

O MSU é mais um ponto na rede social de luta por transformação social na sociedade brasileira e que atua no cotidiano em várias lutas. Caracteriza-se como um movimento cultural, social e popular. Lutamos por uma universidade popular, pelo fim do vestibular, pela democratização do ensino público superior.

O MSU tem ligação com algum partido político?

Não. No MSU tem gente de vários partidos e de vários movimentos populares e muita gente que não tem partido nenhum. Apesar de ter alguns militantes com histórico de atuação no PT, o movimento é autônomo, tanto com relação a quaisquer instâncias partidárias, calendários partidários, como as instâncias do movimento estudantil como UNE e Ubes, suas agendas e seus calendários.

O MSU acredita que a melhoria do ensino fundamental e médio é suficiente para a resolução do problema do acesso à universidade?

Não. No Brasil, país campeão mundial em desigualdade social, onde falta e muito: comida, casa, emprego, saúde e educação básica, parece até um luxo, parece meio chique no urtimo lutar pelo acesso a universidade. Logo, não somos ingênuos, para mudar a universidade brasileira e o acesso a universidade é preciso um projeto popular para o Brasil, mudar o poder. Que bom seria se mudasse a qualidade do ensino público fundamental e médio, que diga-se de passagem não deve ser fabriqueta em série de gente para fazer vestibular. O vestibular como ordenador do sistema de ensino é uma lástima, é a meritocracia, o auto-engano, não é conhecimento, não é emancipação. Hoje, há falta de vagas no ensino superior público e os caras que montam universidades a torto e direito enchem as burras de grana. Depois das farmácias, ensino superior privado é o negócio que mais se vê pelas esquinas das grandes cidades do Brasil afora. Então precisamos de mais vagas, mais universidades públicas, o fim do vestibular. No projeto que apresentamos à Comissão de Educação da Câmara Municipal de São Paulo, propusemos a criação da Universidade Popular do Município de São Paulo, nos locais onde funciona presídios como o Carandiru e a Febem, verdadeiras escolas do crime pra juventude excluída da sociedade. E como meio de acesso a esta universidade popular propusemos o simples sorteio das vagas.

Movimento dos sem universidades, MSU
Movimento dos sem universidade – MSU

Qual a relação do MSU com os cursinhos populares?

Não se pode pensar nunca em substituir o Estado, mas não se pode ver pasmado um monte de gente, de talentos, morrerem afogados. Por isso incentivamos a criação de cursinhos populares sem fins lucrativos e comprometidos com a constituição de sujeitos de direito que denunciem, protestem e participem da luta pelo acesso à educação superior pública de qualidade e por transformação social no Brasil e comprometidos com a qualificação de milhares de jovens pobres para o embate do maldito vestibular. Os cursinhos populares estão na origem do MSU, não são nunca fim em si mesmos, mas ao atenderem uma demanda concreta de milhares de jovens, socializa informação e conhecimento de uma forma real, cultural e emancipadora, no sentido dos trabalhos educacionais, como dizia Paulo Freire, feitos com os oprimidos no processo de sua libertação.

O MSU aprova a reserva de vagas nas universidades?

Cerca de 85% dos estudantes brasileiros estudam no ensino público, logo reservar 50% das vagas para o ensino privado é jogar contra a maioria e incentivar privilégios. A política de reserva de vagas mira-se no exemplo americano da política de cotas, das chamadas ações afirmativas que garantem na base da lei os direitos de minorias. Mas, no Brasil os sem universidade, estudantes da rede pública em sua grande maioria, pobres, não são minoria que carecem de favores do Estado. Mas são maiorias ultrajadas em seus direitos. Logo, a política de reservas de vagas tem um mérito que é trazer a questão da universidade para o debate público, mas ao se aprofundar no debate, mostra-se suas contradições. Não se pode escamotear a questão. É urgente o fim do vestibular e o compromisso social da universidade, seus projetos, seus fins pela maioria que sustenta com seus impostos a universidade pública brasileira.

Movimento dos Sem-Universidade reivindica ensino superior

O Plano Nacional de Educação (PNE – Lei nº 10.172) determina que, até o final desta década, a educação superior brasileira seja ocupada por pelo menos 30% da população na faixa etária de 18 a 24 anos. Esta razão torna obrigatório, mais uma vez, que medidas sejam adotadas imediatamente para ampliar o número de vagas no ensino superior brasileiro.

Cerca de nove milhões de estudantes vão terminar o ensino médio em escolas da rede pública. Mas, pelo menos, dois milhões não poderão frequentar o ensino superior por falta de recursos para pagar a taxa do vestibular ou por saberem que ao passar, não poderão se manter no curso, mesmo que seja numa universidade pública.

Essa é uma realidade que o Movimento dos Sem-Universidade (MSU) quer deixar para trás. O grupo reivindica a democratização do acesso às universidades brasileiras, a isenção das taxas dos vestibulares para alunos de escolas públicas e a criação de mais vagas nas universidades públicas.

O coordenador do MSU, revela que a condição de baixa renda não deve ser motivo de vergonha para nenhum aluno que deseja entrar no ensino superior.

Segundo ele, a maior dificuldade que esses estudantes enfrentam é ter de comprovar a situação de pobreza para conseguir a isenção das taxas. “Onde fica a auto-estima do estudante numa hora dessas? É uma lembrança que ele levará para o resto da vida”, disse ele.

Para o coordenador, o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ter cursado uma faculdade pode facilitar a adoção de políticas públicas para melhorar o acesso dos mais pobres a educação superior. “Acreditamos no compromisso que ele tem com o povo da periferia”, conclui. (Marina Domingos, repórter da Agência Brasil)

O ProUni destina-se à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de 50% (meia-bolsa) para estudantes dos cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos. O programa terá uma política de cotas pela qual as bolsas de estudo para afrodescendentes e indígenas serão concedidas de acordo com a proporção destas populações nos respectivos estados, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

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Publicado em:As Novidades

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