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Vestibular em Xeque e enem

Vestibular em Xeque

Novas propostas colocam vestibular em xeque

Governo recebe projetos do plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Brasileiras (Reuni). Entre as propostas, estão mudanças na forma de ingresso na universidade

O vestibular está mais uma vez sendo discutido pelos meios acadêmico e político nacionais, segundo reportagem publicada no jornal Gazeta do Povo. No fim de setembro, o Ministério da reuni

Educação (MEC) começou a receber propostas para o plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Brasileiras (Reuni), com um orçamento de cerca de R$ 2 bilhões para os próximos cinco anos.

Receberão esse dinheiro as instituições federais com projetos de formação acadêmica mais flexível na graduação, de aumento no número de vagas, principalmente em cursos noturnos, e voltados para a redução no número de evasões e de vagas ociosas. Entre as propostas de reestruturação, estão mudanças na forma de ingresso na universidade.

Propostas de mudança

Autor: Naomar M. de Almeida Filho, reitor da UFBA.

Proposta: extinguir o vestibular e mudar a arquitetura dos currículos dos cursos superiores, dividindo-os em três ciclos.

Processo Seletivo: para ingressar no primeiro ciclo, as instituições de ensino superior levariam em conta a nota do Enem.

Instituições: teriam de remodelar a estrutura curricular, criando quatro áreas de bacharelado com duração de três anos.

 

Autor: Alex Canziani (PTB-PR), deputado federal.

Proposta: substituir o vestibular por um curso de pré-graduação.

Processo seletivo: para ingressar na pré-graduação, também seria levada em conta a nota no Exame Nacional de Cursos (Enem).

Instituições: teriam que oferecer no primeiro ano o triplo de vagas ofertadas para os próximos anos.

Fonte: UFBA e Câmara dos Deputados.

Um dos projetos que serão apresentadas ao MEC é o do reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Naomar M. de Almeida Filho. Baseado em conceitos que Anísio Teixeira, um dos maiores educadores do século 20, aplicou, em 1935, para a criação da extinta Universidade do Distrito Federal, e nos modelos universitários dos Estados Unidos e da Europa, o reitor prevê o fim do vestibular e um ensino dividido em três ciclos no projeto chamado Universidade Nova.

O primeiro ciclo desse modelo seria o Bacharelado Interdisciplinar (BI), com duração de três anos e dividido em quatro grandes áreas: Humanidades, Ciência e Tecnologia, Artes e Ciências da Saúde. Para entrar em um dos quatro BIs, o aluno seria avaliado por seu desempenho no Exame Nacional de Cursos (Enem), aplicado pelo MEC. Após os três primeiros anos, com o diploma de bacharel em uma das quatro áreas, o estudante poderia se candidatar aos cursos profissionalizantes (do segundo ciclo), que teriam duração de 1 a 3 anos. O terceiro ciclo seria o equivalente à pós-graduação de hoje.

O reitor enfatiza que o Universidade Nova vai permitir o acesso de um número maior de pessoas ao ensino superior. Além disso, segundo ele, esses estudantes teriam uma formação mais completa e não precisariam escolher a profissão assim que saíssem do Ensino Médio, e sim apenas uma das quatro áreas com a qual têm mais afinidades. “Porque o que faz o vestibular ser essa coisa horrorosa é as pessoas terem de escolher a profissão antes de entrar na universidade. É aí que se concentra uma competição exacerbada em certas áreas que a maioria busca por puro prestígio social ou por renda em potencial. Elas entram nos cursos sem saber como é a profissão, o que causa muita evasão”, ressalta.

Outra vantagem, ainda de acordo com Naomar, é que o ingresso do aluno no segundo ciclo depende apenas de sua dedicação nos três primeiros anos. “O desempenho e a aptidão do aluno é que vão fazer com que ele seja selecionado para determinada carreira. Com esse modelo o vestibular deixa de fazer sentido”, prevê o reitor. “A ideia é de mobilidade completa. O diploma de bacharel dá ao aluno o direito de estudar o segundo ciclo em qualquer outra universidade federal do país que esteja em rede. Basta que tenha o desempenho necessário. A concorrência será diluída. Só concorrerá ao curso de Comunicação, por exemplo, os alunos portadores do diploma de bacharel em Humanidades, com área de concentração em Comunicação”, diz ele.

Paraná

UEPG oferece ingresso diferenciado

A Universidade Federal de Ponta Grossa (UEPG) oferece ao candidato três opções de exame. A primeira é o tradicional vestibular. A segunda, implantada, permite que o candidato aproveite a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em sua avaliação. O cálculo é feito através do Total de Pontos Obtidos no vestibular (TPO) somado a essa mesma nota multiplicada pelo porcentual de acertos no Enem: TPO (TPO x ENEM/100). Para utilizar esse sistema, o aluno deve ter aproveitamento mínimo de 40% no Enem.

Já a última maneira é a única que abole o vestibular. O Processo Seletivo Seriado, como é chamada, é utilizado desde o ano passado e oferece 25% do total de vagas da universidade. Para participar desse processo alternativo, o aluno deve se inscrever ainda no primeiro ano do Ensino Médio. No fim de cada série, ele faz uma prova, que avalia as competências e habilidades adquiridas pelo aluno em cada uma das séries. (KMM)

Os projetos que receberem ajuda financeira do Reuni poderão ser estendidos a outras universidades, por isso, caso o Universidade Nova seja aprovado pelo ministério, ele pode vir a ser implantado em outras instituições, basta que elas queiram mudar. “É importante ressaltar que nenhuma das propostas será imposta a nenhuma instituição para não ferir a autonomia universitária. Cada uma delas pode apresentar a proposta que pareça mais adequada às suas necessidades, mas acredito que o Universidade Nova tem condições de ser implantado em várias instituições federais brasileiras”, ressalta o reitor.

Congresso

Mas não é apenas o meio acadêmico que está discutindo mudanças na forma de ingresso no ensino superior. Na Câmara dos Deputados há um projeto de lei que prevê o fim do vestibular. Pela proposta, de autoria do deputado paranaense Alex Canziani (PDT), o exame seria substituído por um curso de pré-graduação com um ano de duração, cuja forma de seleção seria, assim como no Universidade Nova, o Enem.

Nesse primeiro ano, o aluno teria disciplinas básicas do curso escolhido para, segundo o autor da proposta, “ter certeza do curso escolhido”. Depois de concluído o curso de pré-graduação, os alunos seriam admitidos na ordem do seu desempenho até o preenchimento das vagas. As instituições de ensino superior seriam autorizadas a reduzir os cursos de graduação em um ano – período relativo ao curso de admissão.

Alex Canziani acredita que a proposta garante um sistema de acesso ao ensino superior “democrático, progressivo, flexível, vocacional e capaz de selecionar pela competência e não apenas pelo treinamento”.

Mas o projeto não é visto com bons olhos pelo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub) e reitor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Nival N. de Almeida. “Essa questão da política de acesso é de debate, sim, mas o deputado está legislando em prejuízo à autonomia da universidade. A autonomia universitária já prevê que a instituição vai escolher a melhor forma de seleção do estudante. Cada universidade tem seu direito e conselho superior de ensino que decide qual a melhor forma de acesso”, defende o reitor.

Almeida levanta um outro problema: para ofertar mais vagas é preciso contratar mais professores, além de melhorar e ampliar os laboratórios, mas a proposta de Canziani, ao contrário do Reuni, não prevê ajuda financeira alguma. “O projeto não contempla os anseios da universidade e dos estudantes. Evasão sempre há em todo o mundo. O que tem que se dar a eles são condições de estudo e de permanência na universidade. Como? Com passagem, alimentação, bibliotecas, laboratórios. Colocar um número maior de estudantes para depois peneirar, isso não resolve o problema. É preciso dar as condições para que estudantes com menor renda permaneçam na universidade”, ressalta.

 

Fonte: por KAMILA MENDES MARTINS – GAZETA DO POVO

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Publicado em:As Novidades

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